Mas, voltando algumas décadas no tempo, encontramos um apelido bem mais... digamos... romântico.
Em 29 de junho de 1949, o jornal O Dia, de Curitiba, dedicou praticamente uma página inteira ao município e estampou, em letras enormes:
“CARLÓPOLIS, a Cinderela do Setentrião Paranaense”
Sim, Cinderela.
Muito antes de virar “Sentinela”, Carlópolis já ocupava o papel de princesa do Norte do Paraná.
E o jornal não economizou nos elogios. A reportagem apresentava uma cidade em franco desenvolvimento, destacando sua produção agrícola, comércio, indústria, energia elétrica, comunicações e transportes. O texto dizia que Carlópolis possuía um aspecto “agradabilíssimo”, com ruas largas e ensolaradas e casas que demonstravam o progresso da cidade.
Na agricultura, o município aparecia com força na produção de café, além de milho, arroz, feijão, cana e outros produtos. Também são mencionadas serrarias, fábricas, estabelecimentos comerciais, hotéis, cinema e serviços públicos.
A reportagem ainda traz fotografias da Igreja Matriz, de ruas da cidade, de grupos de políticos e comerciantes e do então prefeito municipal, Leovegildo Salles.
Mas o que realmente chama a atenção, mais de sete décadas depois, é o título.
De Cinderela a Sentinela
Não sabemos exatamente em que momento a “Cinderela” perdeu o sapatinho e resolveu assumir o posto de “Sentinela”, mas a mudança certamente deixou Carlópolis com uma biografia curiosa.
Em 1949, o município era apresentado como uma jovem cidade promissora, bonita e em crescimento — daí a comparação com a famosa personagem. Hoje, a expressão “Sentinela” transmite outra ideia: a posição geográfica de Carlópolis e sua presença no extremo norte da região.
Convenhamos: “Sentinela do Norte Pioneiro” impõe respeito. Mas “Cinderela do Setentrião Paranaense” tem muito mais personalidade.
E o melhor é que não se trata de apelido inventado depois ou de história contada de geração em geração. Está lá, impresso em letras garrafais numa página de jornal de 1949.
Portanto, fica registrado para os carlopolitanos:
antes de Carlópolis montar guarda como Sentinela, ela já havia ido ao baile como Cinderela.
Só falta agora descobrir onde ficou o sapatinho.
Fonte: Jornal O Dia, Curitiba, 29 de junho de 1949, p. 2.
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